Temendo serem vítimas de represálias dos talibãs que, durante seu primeiro período no poder [entre 1996 e 2001] havia proibido a música, 101 membros do ANIM desembarcaram na segunda-feira à noite em Doha, declarou M. Sarmast à agência de notícias France-Presse (AFP).

O grupo, cerca de metade constituído por mulheres e raparigas, deverá vir para Portugal com o apoio do Governo português, disse o também fundador do instituto, refugiado em Melbourne, na Austrália.

Essa operação foi delicada até ao último minuto, disse Sarmast.

Com a ajuda da embaixada do Catar em Cabul, os músicos foram transportados em pequenos grupos até o aeroporto da cidade.

A princípio, os talibãs - que controlam o aeroporto de Cabul - expressaram dúvidas sobre os seus vistos, mas o problema finalmente resolvido pelas autoridades do Catar.

Quando o voo finalmente descolou com os músicos a bordo, especialmente as raparigas da orquestra "Zohra", de 13 a 20 anos, foram tomadas por uma emoção imensa.

"Este é o momento mais feliz da minha vida", disse Sarmast, que admite ter chorado muito.

Esse voo resultou de um longo planeamento desde que os talibãs assumiram o poder e exigiu uma preparação demorada e intensa.

"Assim que os talibãs assumiram o poder em Cabul, os músicos foram discriminados. O povo afegão foi silenciado mais uma vez", disse Sarmast.

Desde o seu retorno ao poder em meados de agosto, os talibãs têm tentado tranquilizar o povo afegão e a comunidade internacional, dizendo que serão menos rígidos do que no passado.

No entanto, disseram que irão governar o país de acordo com a sua interpretação estrita da lei sharia (conjunto de normas islâmicas).

A política que pretendem aplicar em relação à música permanece obscura.

Questionado pela agência de notícias Lusa sobre o acolhimento de músicos afegãos em território português, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) declarou que “Portugal participa, desde a primeira hora, nos esforços internacionais em curso para o acolhimento de cidadãos afegãos”.

“Até ao momento, chegaram já a território nacional 214 refugiados afegãos, sendo que este número varia com frequência. Naturalmente, não nos pronunciamos publicamente sobre quaisquer aspetos de natureza operacional relativos à chegada a Portugal de pessoas e grupos em situação de particular vulnerabilidade ou risco”, referiu ainda o MNE.

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