Vários estudos têm revelado que tratamentos com células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical estão associados a melhorias em crianças com autismo.

As Perturbações do Espectro do Autismo (PEA) caracterizam-se por distúrbios do foro neurológico, com alterações no normal desenvolvimento da criança ao nível da comunicação, linguagem, comportamento e interação social, que poderão estar associados a uma falha na comunicação integrativa entre várias regiões do cérebro. O autismo é a patologia mais comum destas perturbações, estimando-se que afete uma em cada 100 crianças, com maior incidência no sexo masculino. A abordagem terapêutica inclui terapia ocupacional, comportamental e da fala, bem como medicação destinada a controlar os sintomas associados. Apesar das abordagens terapêuticas disponíveis, continua a haver uma grande necessidade de tratamentos mais eficazes dirigidos aos sintomas principais das PEA.

Vários estudos envolvendo centenas de crianças, têm vindo a evidenciar o potencial das células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical no tratamento de PEA. Um ensaio clínico de fase 1, conduzido por investigadores da Universidade de Duke (EUA) mostrou melhorias significativas no comportamento, aptidões sociais, comunicação e sintomas associados ao autismo após a infusão autóloga de sangue do cordão umbilical em crianças com PEA. Num outro ensaio clínico, de fase 2, realizado na mesma Universidade foram identificadas melhorias significativas nas capacidades de comunicação e atenção em crianças dos 4 aos 7 anos de idade com QI não verbal > 70, após tratamento com sangue do cordão umbilical.

Mais recentemente, foi conduzido na Roménia outro ensaio clínico, que visava avaliar a segurança e a eficácia da infusão intravenosa de sangue do cordão umbilical autólogo em crianças com PEA. Segundo o investigador principal deste estudo, os resultados foram muito bons na faixa etária dos 3 aos 7 anos, com cerca de 2 em cada 3 crianças com PEA a evidenciarem melhorias claras, especialmente na verbalização, iniciativa, interação social e compreensão.

Também as células do tecido do cordão umbilical têm vindo a ser testadas no tratamento experimental de PEA com resultados favoráveis, tendo sido reportadas melhorias em crianças autistas tratadas com estas células estaminais. Os resultados dos estudos desenvolvidos revelam que as melhorias observadas estão relacionadas com um aumento da conectividade cerebral após a infusão de células estaminais.

Para além das melhorias observadas, os tratamentos com recurso a células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical têm-se mostrado seguros e bem tolerados, e, de um modo consistente, os resultados obtidos indicam que a faixa etária de intervenção parece ser um fator determinante na resposta ao tratamento, tendo as crianças com idades entre os 3 e os 7 anos evidenciado os melhores resultados. Apesar dos resultados favoráveis, são necessários mais estudos envolvendo a utilização de células estaminais que possam esclarecer o benefício da sua administração no contexto das PEA para que este tipo de tratamentos possa ficar disponível na prática clínica.

Referências:

https://clinicaltrials.gov/, acedido a 20 de março de 2025.

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/autism-spectrum-disorders, acedido a 20 de março de 2025.

– Chez M, et al. Stem Cells Transl Med. 2018. 7(4):333-341.

– Dawson G, et al. Stem Cells Transl Med. 2017. 6(5):1332-1339.

– Dawson G, et al. J Pediatr. 2020. 222:164-173.e5.

– McLaughlin C, et al. Stem Cells Translational Medicine. 2019. 8(Suppl Suppl 1): S4-S5.

– Riordan NH, et al. Stem Cells Transl Med. 2019 Oct;8(10):1008-1016.

– Sun JM, et al. Stem Cells Transl Med. 2020. 9(10):1137-1146.