"Creio que a evolução dos dados vai nesse sentido e a situação ainda está numa fase de agravamento. Ainda não temos um sinal de quando é que esse agravamento infletirá para termos uma redução", disse Fernando Medina (PS), presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ontem à noite à TVI24, quando questionado sobre a possiblidade de Lisboa dar um passo atrás no desconfinamento.

A região de Lisboa e Vale do Tejo e, em particular, o concelho de Lisboa assistem a um recrudescimento da pandemia, com o aumento de número de casos de COVID-19 e o alastramento da variante Delta do coronavírus SARS-CoV-2.

Em declarações ontem à noite à TVI 24, Fernando Medina revelou que Lisboa vai criar um novo centro de vacinação contra a COVID-19 para acelerar esse processo.

"Vamos ter, já a partir de segunda-feira, um centro em Alcântara que vai funcionar no formato de atendimento livre para todas as pessoas que estejam nas faixas etárias abrangidas no plano de vacinação, para que se possam ir vacinar sem pré-marcação", disse o autarca socialista no seu espaço de comentário na TVI24.

De acordo com o presidente da Câmara de Lisboa, este centro vai funcionar entre as 07:00 e as 21:00. Esta é uma das medidas tomadas pela autarquia lisboeta para acelerar a vacinação em Lisboa, região onde se têm registado nos últimos dias os maiores casos de infeção diários por COVID-19.

Ontem, Portugal registou 1.020 novos casos de infeções por COVID-19, 648 dos quais na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Afirmando que há “condições logísticas e operacionais para que a vacinação seja acelerada”, Fernando Medina fez ainda saber que tem “capacidade para aumentar em 50% os números da vacinação” nos centros existentes na capital, “assim haja vacinas disponíveis”. “E a informação que temos é que, neste momento, há vacinas disponíveis”, acrescentou.

Para esse aumento da capacidade de vacinação, o autarca frisou ser necessário “um esforço grande de contratação de mais enfermeiros” e um “alargamento dos horários de funcionamento dos centros”. “Propusemos que tenham horário alargado em cerca de quatro horas e que funcionem também aos sábados e aos domingos”, afirmou, especificando que os centros fecharão assim às 22:00.

Entretanto, também ontem a ‘task force’ fez saber que reabre na quarta-feira o centro de vacinação contra a COVID-19 do pavilhão 3 da Cidade Universitária, em Lisboa, para vacinar pessoas acima dos 50 anos de idade sem agendamento.

Numa nota enviada à Lusa, a equipa liderada pelo vice-almirante Gouveia e Melo adiantou que o centro terá ao seu serviço “28 militares dos três ramos das Forças Armadas e terá capacidade para administrar cerca de 1.200 doses diárias”.

Por agora, este espaço será apenas dedicado à vacinação da modalidade ‘casa aberta’, “ficando disponível para a vacinação de primeiras doses de utentes com idade igual ou superior a 50 anos” inscritos nos agrupamentos de centros de saúde de Lisboa Norte e que não tenham sido infetados nos últimos seis meses.

Segundo a ‘task force’, este centro de vacinação vai funcionar sete dias por semana, entre as 09:30 e as 17:30 e os utentes que desejem informar-se em tempo real sobre a disponibilidade deste espaço podem consultar o portal ‘sala aberta’ (https://salaaberta3.webnode.pt/).

Mais de 4,3 milhões de pessoas em Portugal já receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19, o equivalente a 42% da população, e quase 2,6 milhões (25%) têm a vacinação completa, segundo dados avançados na terça-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, em março de 2020, a covid-19 já matou 17.074 pessoas, em 866.826 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.