“Há aqui um impasse por parte do Ministério da Saúde que não conseguimos entender e que pode ter reflexos, obviamente, naquilo que é a gestão diária do hospital”, afirmou Miguel Guimarães, após uma visita à unidade de Vila Real do CHTMAD.

Em dezembro foi anunciado que o então presidente do conselho de administração não iria renovar mandato e, no final de maio, João Oliveira saiu do CHTMAD para a unidade hospitalar de Braga.

“O hospital estar tanto tempo sem administração é absolutamente lamentável, embora, mesmo quando o centro hospitalar tinha o seu conselho de administração a funcionar em pleno, a verdade é que as dificuldades também existiam”, salientou Miguel Guimarães.

O responsável afirmou que o centro hospitalar “precisa com urgência de mais investimento” e sublinhou que não se pode “medir o país apenas pelo número de pessoas, isto é, pelo número de votos”.

“Nós temos que dar condições de acesso a cuidados de saúde semelhantes a todas as pessoas no país (…). A equidade não pode continuar a depender muito do código postal e cada vez depende mais do código postal, infelizmente, e temos que alterar essa situação”, salientou.

Miguel Guimarães destacou a resiliência dos profissionais de saúde para “manterem serviços a funcionar” e destacou a falta de médicos em várias especialidades, como a oncologia, cirurgia interna ou nefrologia, onde o serviço pode perder, nos próximos tempos, três dos nove especialistas que possui atualmente e já são insuficientes para as necessidades sentidas.

O responsável chamou ainda a atenção para os “inaceitáveis” tempos médios de espera para primeira consulta em algumas especialidades no CHTMAD, como, por exemplo, os 1.829 dias para urologia.

O bastonário referiu que continua a não existir, por parte do Ministério da Saúde, “uma verdadeira política de incentivos” para as regiões mais periféricas e mais desfavorecidas.

“Os médicos aqui têm sido verdadeiramente escravos do SNS, fazem mais horas do que devem fazer sem qualquer compensação, em muitos casos, mas isto não pode ser a forma constante das pessoas trabalharem”, referiu.

O bastonário falou aos jornalistas no fim de uma visita ao CHTMAD, inserida no périplo que a Ordem dos Médicos está a realizar a várias unidades de saúde de todo o país.

As visitas têm como objetivo conhecer alguns dos problemas dos hospitais e centros de saúde e ouvir os médicos e os doentes e vai resultar num relatório que irá ser remetido, entre outros, ao Ministério da Saúde.

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