As espécies que “são alvo de pesca comercial têm menos diferenciação” genética de um “modo geral a nível mundial”, o que se pode refletir na sua “gestão e conservação” e no que poderá acontecer “com as alterações climáticas”, disse à Lusa David Abecassis, um dos quatro autores do trabalho de investigação, que analisou "estudos que foram feitos para espécies de peixe pelo mundo inteiro e em que foi analisada a diferenciação genética dentro da mesma espécie em diferentes locais”.

Uma maior diversidade genética implica uma ”maior capacidade de adaptação” às diferenças no meio, enquanto as populações que apresentam mais semelhanças genéticas perdem essa capacidade, podendo “tornar-se menos resilientes às alterações climáticas”, como a capacidade para se adaptar ao “aumento ou diminuição de temperatura, aumento de CO2 ou PH na água”, sustentou David Abecassis.

Os cientistas colocavam a "hipótese de que a pesca pudesse ter algum impacto na diferenciação genética”, mas não estavam seguros de qual seria a sua extensão. Para isso, analisaram a informação sobre a variabilidade genética de mais de 170 espécies de peixes marinhos de todo o mundo, disponível em mais de 200 artigos científicos publicados durante a última década.

Para ilustrar os resultados, David Abecassis dá como exemplo a pesca da sardinha em Portugal, que reduz o seu stock, ou seja, a quantidade de peixe existente, o que leva a que outras populações, como a de Marrocos, ocupem esse habitat.

Assumindo que a população do norte de África é geneticamente diferente da existente nas águas algarvias, o investigador apontou que ao deslocar-se para o sul de Portugal, vai fazer desaparecer essa variabilidade tornando tudo “mais homogéneo”.

Uma população com uma maior variabilidade genética terá “mais ferramentas” para se adaptar a novas alterações. Se for toda homogénea e houver alterações no meio, podem “não estar presentes as melhores características para se adaptaram a essas novas condições”, realçou.

O estudo surgiu na sequência de uma investigação relacionada com áreas marinhas protegidas, nomeadamente sobre qual o “nível de proteção existente e a ligação entre elas” e o que pode ser feito nessas áreas, adiantou.

O biólogo marinho revelou que será necessário manter algumas linhas de investigação para chegar a mais conclusões, mas adiantou que as áreas protegidas ajudam a garantir a “existência de uma variabilidade genética, espalhada por diferentes zonas”.

O estudo intitulado ‘Reduced Global Genetic Differentiation of Exploited Marine Fish Species’ assinado por Miguel Gandra, Jorge Assis, Manuel Ramos Martins e David Abecassis foi publicado na revista ‘Molecular Biology and Evolution’.

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