A semente contida na vagem do tremoceiro faz parte da tradição portuguesa e não há fim de tarde numa esplanada ensolarada em que não sejam servidos pequenos pires desta leguminosa da família da ervilha e da fava a acompanhar uma bebida fresca. Contudo, a maioria dos seus fãs desconhece as suas propriedades. O tremoço é pouco calórico. Um pires de 60 gramas possui, em média, cerca de 70 calorias. No entanto, no que diz respeito ao seu efeito de saciedade, a conversa já é outra.

"O tremoço possui 16% de proteínas e 5% de fibra, os nutrimentos com um contributo maior a este nível", defendem os nutricionistas Pedro Carvalho e Vítor Hugo Teixeira no livro "50 super alimentos portugueses", publicado pela editora Matéria-Prima Edições. Além disso, de acordo com os autores, "apesar de ser um alimento de origem vegetal, as suas proteínas são de elevada qualidade e digestibilidade e têm um perfil semelhante ao da proteína de soja", garante mesmo a dupla de especialistas.

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"A sua combinação com cereais fornece-nos todos os aminoácidos essenciais nas proporções adequadas", asseguram. Isto para não falar da sua riqueza em folato, ferro e zinco, que normalmente não abundam em alimentos de origem vegetal. Tenha, todavia, em conta que o grão seco do tremoço é tóxico. Contém a substância alcaloide lupanina, que lhe confere um sabor amargo. Daí que só possa ser consumido "depois de cozido e passado por várias águas", alerta a nutricionista Catarina Cachão Bragadeste. A cozedura inativa enzimas e elimina o poder germinativo. A passagem do tremoço por várias águas tira-lhe o sabor amargo e os alcaloides.

"Este tratamento, também apelidado de lixiviação, é feito industrialmente, pelo que o produto se vende já cozido e conservado em salmoura", refere ainda a especialista. É assim que os portugueses o encontram, nos dias que correm, à venda no mercado. Um estudo científico português descobriu que o tremoço contém uma proteína com propriedades fungicidas que não são tóxicas para a espécie humana, abrindo portas à sua utilização em agricultura biológica e em estufas agrícolas.

Além disso, de acordo com o projeto português +Lupinus, "fora do âmbito agronómico e do complexo agroalimentar existem aplicações de ordem muito variada". "A extração de proteínas do tremoço tem um largo espetro de utilizações (...) que vão desde a cosmética, à indústria farmacêutica, passando pela transformação e pela fabricação de produtos fitofarmacêuticos", esclarecem os especialistas nacionais que o dinamizam. Depois disto tudo ainda acha que o tremoço é um alimento de pobres?

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