"Evoluíram satisfatoriamente. Ana Ruth está a recuperar em passos gigantes e a sua irmã, Ana Saray, foi submetida neste domingo a uma pequena intervenção para controlar uma hemorragia dérmica que concluiu sem contratempos", disse à agência de notícias France-Presse uma fonte do centro médico da cidade de Maracaibo (oeste).

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Nascidas em setembro de 2018 e unidas do tórax ao umbigo, as gémeas foram separadas na quinta-feira passada por uma equipa de 22 especialistas do Serviço Autónomo do Hospital Universitário de Maracaibo (SAHUM).

"Está a mostrar-se ao mundo que a Venezuela não tem uma crise na formação do pessoal médico", disse à AFP o cirurgião Dioverys Hinestroza, que participou na cirurgia.

O médico acrescentou que a escassez de fármacos e insumos, que afeta os hospitais do país, foi contornada com doações de empresas privadas e voluntários, além de provisões do governo central, do governo de Zulia e prefeituras.

Cirurgia
Imagem recolhida no bloco operatório antes do início da cirurgia créditos: HO / Servicio Autonomo Hospital Universitario Maracaibo / AFP

"O mais especial da cirurgia é que conseguiu unir todo o hospital", disse o médico de 35 anos.

Três dos médicos que realizaram o procedimento - Dilmo Hinestroza, Darío Montiel e Nidia Devonich - já tinham separado com sucesso outras irmãs siamesas há 14 anos.

Mervin Urbina, diretor do SAHUM, indicou numa conferência de imprensa que se sentia orgulhoso de toda a equipa "pelo árduo trabalho para conseguir o êxito desta cirurgia tão complexa".

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A operação ganha relevância num país mergulhado na pior crise da sua história recente, com escassez de 85% de remédios e insumos médicos, segundo a Federação Farmacêutica.

Além disso, Zulia, ex-potência petroleira, é um dos estados mais castigados por constantes apagões que se intensificaram desde março e pela falta de água e combustíveis.

"É uma façanha pela dificuldade de importar material médico-cirúrgico devido ao bloqueio", comentou à AFP Elio Ríos, diretor de um ambulatório em Zulia, em alusão às sanções dos Estados Unidos, às quais o governo de Nicolás Maduro culpa pela falta de remédios.

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