A SRCOM adiantou em comunicado que escreveu uma carta à ministra Marta Temido a alertar para uma situação “que se arrasta há demasiado tempo” e da qual resultam “graves consequências sobre a organização hospitalar e os cuidados de saúde prestados”.

“São múltiplos casos de atrasos incompreensíveis”, segundo a fonte.

Na carta, a Ordem dos Médicos alertou para a “situação real” do Hospital de Sousa Martins, que é a principal unidade hospitalar da ULS da cidade mais alta do país.

“Os serviços de Pneumologia, Dermatologia, Medicina Física e Reabilitação, Medicina Interna, Otorrinolaringologia, Reumatologia e Neurologia mantêm os seus diretores em funções desde 2017 e não temos conhecimento, até ao momento, da abertura de procedimento concursal para os mesmos”, lê-se.

A SRCOM, presidida por Carlos Cortes, acrescentou que, no setor da Ginecologia/Obstetrícia, o diretor de serviço terminará funções em 2022 e, “segundo informação prestada, já terá solicitado a aposentação”.

No serviço de Psiquiatria, “devido a aposentação do diretor de serviço, foi nomeado pelo Conselho de Administração um assistente graduado sénior para desempenho ‘interino’ daquelas funções. Sem recurso a qualquer tipo de procedimento administrativo”, apontou.

Ainda de acordo com a fonte, “alguns concursos abertos” estão a “aguardar resolução”, nomeadamente Anestesiologia (sem candidatos), Cardiologia (dois concorrentes), Pediatria (dois concorrentes), Medicina Intensiva (dois concorrentes), Ortopedia (sem candidatos), Cirurgia (dois concorrentes) e Oftalmologia (um concorrente).

No total, são 16 serviços hospitalares da ULS da Guarda “com atrasos incompreensíveis nas nomeações dos diretores”, resultando “em falta de planeamento dos cuidados de saúde a levar a cabo aos utentes, indefinição da organização na prestação de cuidados de saúde, entre muitas outras competências e atribuições inerentes a este cargo”.

No documento, o presidente da SRCOM, Carlos Cortes, “chama a atenção para ‘as implicações nefastas’ que a ausência dessa nomeação acarreta”.

“Mais grave, ainda, é perpetuar situações de serviços sem diretores nomeados da própria especialidade médica, o que tem causado graves dificuldades no desenvolvimento do serviço, como a Oftalmologia ou Ortopedia”, referiu.

Para o responsável, “todas estas situações configuram um desleixo preocupante que contribui para um clima de descontentamento e instabilidade da instituição”, pelo que solicita a intervenção da ministra da Saúde.

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