A decisão surgiu depois de reuniões da Ordem dos Médicos com cerca de duas centenas de médicos ucranianos e russos, muitos deles com dupla nacionalidade, que exercem em Portugal e que transmitiram que a ajuda pode ser feita a vários níveis, nomeadamente através do envio de alimentos, medicamentos e outro material médico e cirúrgico que será decisivo para cuidar dos feridos entre a população civil e militar e dos refugiados.

“Nós quisemos, primeiro, passar-lhes uma mensagem de solidariedade dos médicos portugueses, que neste momento represento enquanto for bastonário, e depois de dizer que estamos aqui para os ajudar”, adiantou Miguel Guimarães.

O bastonário adiantou que é objetivo: “ajudar os médicos ucranianos, os médicos russos e, sobretudo, ajudar o povo que está a ser massacrado numa guerra que nunca devia ter acontecido, uma guerra de facto desigual, injusta e brutal e, nesta perspetiva, vamos em conjunto com eles criar um gabinete de apoio humanitário”.

A OM e os médicos estão disponíveis para fazer “um trabalho de fundo de organização” que vai ser colocado à disposição do Ministério da Saúde.

“Isto vai ter de ter o apoio das vias oficiais e integrado no que o Ministério da Saúde e o Ministério dos Negócios Estrangeiros estejam a fazer”, disse, revelando que já enviou ofícios para os ministérios.

Miguel Guimarães destacou que exercem em Portugal cerca de 330 médicos ucranianos de diferentes especialidades que estão distribuídos por todo o país, o que significa que é uma “rede interessante” que pode ser fundamental no apoio aos refugiados,

Segundo o bastonário, esse apoio pode ser feito em missões junto às fronteiras dos países que estão a receber os refugiados e até eventualmente colaborar para trazer refugiados para Portugal e fazer uma avaliação de saúde a estas pessoas.

“Neste momento, temos mais de 1,2 milhões de pessoas que não têm médico de família atribuído e, portanto, nós temos que criar aqui uma rede também paralela que permita que estas pessoas que estão fragilizadas do ponto de vista da sua saúde mental, do ponto de vista físico, que estão a viver um drama, possam ter apoio”, vincou.

Miguel Guimarães realçou também o contributo que estes médicos ucranianos e russos podem dar: “Aqui a língua vai ter um valor inestimável. O facto de uma pessoa que vem da Ucrânia que não fala português chegar a um país em que tem alguém a falar com ela a sua língua nativa cria logo uma empatia muito importante”.

Avançou também que há uma série de ideias que estão neste momento a ser trabalhadas pelo gabinete de apoio humanitário em termos do apoio que pode ser dado, sendo uma delas a tradução dos dossiês clínicos de ucraniano para português.

Muitos destes médicos, adiantou, estão em contacto permanente com os seus familiares, amigos e colegas ucranianos que estão no terreno de guerra.

“Portanto, eles sabem muito bem aquilo que está a acontecer e quais são as necessidades que existem em termos de medicamentos”, de material cirúrgico, ventiladores, compressas ou endopróteses.

“Muitos destes doentes têm lesões musculares e para os tratarem têm que ter disponibilidade de endopróteses para poderem salvar por exemplo uma perna e não terem que a cortar”, explicou.

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