Se olharmos pormenorizadamente, o bullying está à nossa volta nos mais pequenos pormenores e, por vezes, optamos por ignorá-lo. Se estivermos atentos, percebemos rapidamente que bullying não é uma condição exclusiva das crianças, está presente quer entre as crianças, que entre os mais crescidos.

Se não fomos vítimas de bullying, rapidamente, em conversa, surge alguém que sofreu ou que conhece alguém que sofreu bullying. Parece quase uma praga que teima em não desaparecer e a se perpetuar no tempo sem solução à vista. Surgem várias teorias sobre as causas e consequências do bullying, mas por muito que nos pareça difícil aceitar, quem pratica bullying regra geral comporta em si tanto sofrimento como quem sofre de bullying.

Isto é, seja criança, seja adulto, quem está seguro e de bem consigo próprio, não magoa deliberadamente o outro. Este ato de magoar deliberadamente o outro, é, por norma, uma forma de alguém se sentir superior e encobrir através de gestos mais agidos o seu sofrimento interno. Quem sofre bullying, pode estar também em sofrimento e inseguro de tal forma que não consegue definir os seus limites e proteger-se. Por isso, em circunstâncias de bullying é inequívoco que as duas partes estão em apuros e precisam de ajuda.

De qualquer forma, o que é que precisamos de aprender para evitar que o bullying se perpetue e continue como uma nuvem negra sobre todos nós?

Em primeiro lugar, precisamos que aprender a definir limites, é essencial que cada um de nós consiga perceber até onde é que permite que os outros cheguem junto de si e qual é o espaço que se dá aos outros para estabelecerem uma opinião sobre si, ou sobre as suas características, sejam elas físicas ou internas. É claro que numa criança ou adolescente, o definir limites pode ser mais complicado, mas é importante que sejam ensinados desde cedo, para que gradualmente o consigam fazer.

Em segundo lugar, precisamos de aceitar quem somos, a partir do momento, em que estamos seguros e aceitamos todas as nossas características, é mais fácil protegermo-nos dos ataques dos outros. Desta forma, a opinião dos outros tem tendência a ter cada vez menos impacto sobre nós.

Em terceiro lugar, precisamos de aprender a reagir, lidar com o medo, ser corajosos, e conseguir enfrentar e defendermo-nos. Isto é, não nos podemos esquecer que o essencial na batalha contra o bullying é que cada vez mais, todos nós - independentemente do contexto em que surge - tenhamos coragem para reagir proativamente aos comportamentos de bullying, conseguido enfrentá-lo, torná-los públicos ou partilhá-los com quem nos pode ajudar a resolver o comportamento de ataque que estamos a ser alvo.

Desde cedo, devemos ensinar às crianças a importância do se saberem defender, de conseguirem respeitar o espaço do outro e de conseguirem partilhar com alguém tudo aquilo que as pode estar a magoar. Para que, aos poucos, todas as crianças - e todos os adultos - se tornem mais capazes de enfrentar episódios de bullying. E no limite, tornar evidente a quem pratica bullying que somos todos livres, até ao momento em que magoamos os outros e os utilizamos como depósito das nossas mágoas internas.

Quando o conseguirmos fazer, todos teremos mais espaço para partilhar as dores e para, aos poucos, diminuirmos os episódios de bullying. Assim, devemos sempre ter em conta que a liberdade deve vir sempre em paralelo com o respeito e com a empatia pelo outro.

Um artigo das psicólogas clínicas Cátia Lopo e e Sara Almeida, da Escola do Sentir.

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