"Os sinais de uma crise alimentar crescente são óbvios. Temos de agir com urgência", declarou a líder do executivo comunitário, discursando no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça. 

 Numa altura de confronto armado na Ucrânia, Ursula von der Leyen condenou que "a artilharia russa esteja a bombardear deliberadamente armazéns de cereais em toda a Ucrânia", que é um dos países mais férteis do mundo, e que esteja também a "bloquear navios ucranianos cheios de trigo e sementes de girassol". 

 "As consequências destes atos vergonhosos estão à vista de todos. Os preços globais do trigo estão a subir em flecha e são os países frágeis e as populações vulneráveis que mais sofrem [...] e, ainda por cima, a Rússia está agora a acumular as suas próprias exportações de alimentos como forma de chantagem, retendo os fornecimentos para aumentar os preços globais, ou negociando trigo em troca de apoio político", lamentou a responsável. 

 E criticou: "Isto é usar a fome e os cereais para exercer o poder". 

 Precisando que existem cerca de 20 milhões de toneladas de trigo retidas na Ucrânia -- sendo que a exportação habitual era de cinco milhões de toneladas de trigo por mês -- Von der Leyen defendeu a criação de "vias de solidariedade, ligando as fronteiras da Ucrânia aos portos" europeus, estando Bruxelas a "financiar diferentes modos de transporte para que os cereais da Ucrânia possam chegar aos países mais vulneráveis do mundo". 

 "E estamos a trabalhar com o Programa Alimentar Mundial para que os 'stocks' disponíveis e produtos adicionais possam chegar aos países mais vulneráveis a preços acessíveis, [sendo que] a cooperação global é o antídoto para a chantagem da Rússia", adiantou a presidente da Comissão Europeia. 

 Ursula von der Leyen defendeu, ainda, que "a Ucrânia tem de ganhar esta guerra e a agressão de Putin deve ser um fracasso estratégico". 

 A posição surge numa altura de aceso confronto armado na Ucrânia devido à invasão russa, tensões geopolíticas que estão a afetar cadeias de abastecimento, causando receios de rutura de 'stocks' e de crise alimentar. 

 Tanto a Ucrânia como a Rússia são importantes fornecedores dos mercados mundiais, especialmente de cereais e óleos vegetais, como trigo, cevada e milho, sendo que Kiev é também responsável por mais de 50% do comércio mundial de óleo de girassol e um importante fornecedor de ração para a UE. 

 Segundo a Comissão Europeia, não existe uma ameaça imediata à segurança alimentar no espaço comunitário, uma vez que a UE é um grande produtor e um exportador líquido de cereais. 

 Ainda assim, Bruxelas reconhece o impacto imediato relacionado com o aumento dos custos ao longo de toda a cadeia de abastecimento alimentar, pela rutura dos fluxos comerciais de e para a Ucrânia e Rússia, bem como as consequências na segurança alimentar global. 

 Para a vizinhança da UE, no Norte de África e no Médio Oriente, tanto a disponibilidade como a acessibilidade de preços estão em risco no que toca ao trigo, o alimento básico, o que também acontece na Ásia e na África subsaariana. 

 O Norte de África e o Médio Oriente importam mais de 50% das suas necessidades de cereais da Ucrânia e da Rússia. 

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